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cultura das mídias

por pedro

o que é cultura?

Segundo LUCIA SANTAELLA, em CULTURA DAS MÍDIAS, a palavra cultura é uma metáfora que significa cultivar o solo. Não é um termo novo; pois, na antiguidade, CICERO já usava a expressão CULTURA ANIMA como forma de aprendizagem em geral.

Em outro paágrafo, SANTAELLA diz que a palavra cultura é como a vida, pois nascendo num lugar adequado, em condições adequadas, ela se desenvolve, se expande, cresce, floresce e cita como exemplos a cultura nas sociedades pós-industriais e pós-modernas do início deste século.

Porém, apesar dos exemplos citados acima, a cultura  não era bem assim. Até meados do século XIX, só havia dois tipos de cultura: a da elite, de um lado e a popular, de outro. Com a explosão da cultura de massa, foto, jornal, cinema e, mais recentemete, a internet, houve uma mistura entre o erudito e o popular, entre o artesanal e o industrial, a qual, atualmente, é impossível de se fazer uma distinção entre cultura midiática, erudita ou popular.

Foi a partir de então, dessa mistura e do desenvolvimento da tecnologia, que surgiu a globalização; pois, sem ela, não existiaria modernidade. Pois é através da lingaugem do computador que textos, fotos, vídios, som, imagens, programas informativos e outros programas podem ser entendidos e armazenados no mundo todo.

Mas essa linguagem computacional, chamada de CYBERESPAÇO pelos teóricos da comunicação, trouxe à tona um conflito entre dois grupos culturais: de um lado, o grupo dos “eufóricos”, que descobriram na linguagem do computador um meio de libertação, possibilidades utópicas abertas pelas infovias e, do outro, o grupo dos “disfóricos”, os tradicionais que se posicionam contra a cultura de massa.

Esse é um  vasto campo que ainda precisa ser muito explorado.

 

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cidadão kane

por pedro

CHARLES FOSTER KANE, de menino humilde do interior a magnata da mídia americana.

Como mostra o filme, tudo começou por causa de uma simples pensão que tinha a Sra kane, sua mãe, numa pequena propriedade rural no interor dos EUA, onde kane vivia com ela e seu pai.

Um inquilino inadimplente passou as escrituras de uma mina abadonada e supostamente sem valor à Sra kane, como forma de pagamento. Ela, pouco tempo depois, contratou um grupo de banqueiros especialistas no assunto e logo descobriram que a mina, chamada de mina COLORADO, valia uma fortuna.

Diante da notícia, a Sra kane decide vender a mina ao gurpo de banqueiros e ao mesmo tempo entrega kane,seu próprio filho, aos cuidados do grupo, que,  a partir de então, se tornariam responsável pela criação e educação do menino, mas, somente após os 25 anos de idade, kane poderia tomar posse de sua fortuna.

kane teve toda sua formação praticamente na Europa, onde conheceu várois países. Porém, ao completar 25 anos de idade, retorna aos EUA em definitivo para administrar seus bens. Entre tantos empreendimentos para investir, como na área do petróleo, de transatlâticos, etc., conforme queriam seus investidores, kane escreveu-lhes uma carta dizendo que a única coisa que o interessava era a aquisição do NEW YORK INQUIRE, um jornal hipotecado que funcionava apenas na parte da manhã.

De posse do jornal, kane fez uma raviravolta. O que antes funcionava apenas meio período, passou a funcionar 24 horas por dia. Fez uma declaração de princípios na qual se declarava a favor dos desafortunados, dos pobres, dos assalariados. Em contra partida, atacaria o sistema político e a elite americana. trocou as notícias frias, de pouca comoção nacional, por fatos quentes, como desaparecimentos, assassinatos, escândalos políticos, sexuais, corrupção, etc. Mandou aumentar as manchetes do INQUIRE, pois dizia: “quanto maior a manchete, maior a notícia”. Dizia também que, enquanto seu maior concorrente levou 20 anos para ser o primeiro em circulação, prometeu que o INQUIRE o ultrapassaria em 6 anos, e a promessa se cumpriu. O INQUIRE começava a se expandir por todo o território americano.

Nascia o império kane dentro do império americano: 35 jornais espalhados por vários Estados dos EUA, dois sindicatos, uma rede de rádio, uma rede de armazéns, fábricas de papel, indústrias, florestas, transatlânticos, etc,

A medida que sua fortuna aumentava, também aumentava seu poder e sua fama ao redor do mundo. Chegou a tal ponto que, para os americanos, a sua figura  se tornara mais importante do que seus próprios jornais. Seu poder era tanto que, nos bastidores, influenciava na política, na economia e até em assuntos internacionais. En alguns deles, defendeu a entrada dos EUA numa guerra mundial, e em outra ocasião evitou que uma acontecesse.  Elegeu, ao menos, um Presidente dos EUA; mas, do mesmo jeito que elegia, também derrubava. kane era como uma faca de dois gumes: apoiava políticos antes das eleições; depois, denunciava-os.

Ao mesmo tempo que ostentava poder, kane também desfrutava dos prazeres da vida, à exemplo dos faraós. Mandou construir, numa montanha, um palácio, o qual chamou de XANADU, um templo dedicado ao prazer. Para lá, importava de vários países, muitas obras de artes, quadros, estátuas, etc., para colecionar; de todas as espécies de animais, adquiria um casal, como quisesse se comparar a Noé, quando Deus mandou o dilúvio e ordenou que um casal de cada espécie entrasse na Arca.

Mas nenhum reinado dura para sempre. Foi assim desde o começo dos tempos, uma hora começa a ruir. Basta lembrar do império Persa, Mongol, Romano, e outros, como grandes exemplos de ascensão e queda. Com o de kane não foi diferente. Tempo depois de casar-se com a sobrinha do Presidente dos EUA, kane arrumou uma amante, uma simples e mau cantora de ópera, com a qual começava sua ruína. No entanto, embora kane tivesse uma amante, ele ainda reinava como um “Rei Supremo”, pois neguém sabia da sua traição, mas a partir do momento em que resolveu entrar para a política e se candidatar a Governador, sua vida sofreu um grande impacto. Certo dia, quando fazia um inflamado discurso político, convicto de sua vitória, pois as pesquisas o apontava como grande favorito frente ao seu adversário, atacou duramente seu oponente, chamando-o de criminoso. Dias depois, o escândalo sexual de kane era manchete de vários jornais do país, ou seja, foi vítima do seu próprio veneno. kane perde as eleições e começa a perder tudo o que tinha.

No fim, após uma vida cheia de conflitos, kane morre falido e abandonado no seu Palácio XANADU, o qual nem sequer conseguiu concluir.

Mas não foi a amante de kane que o destruiru nem tampouco o discurso inflamado que fez ao seu adversário político. O que o levou a destruição foram suas próprias ações e atitudes farcistas, seus ideais maquiavélicos. Assim como sua arrogância, seu orgulho, seu esgoísmo e seu amor incondicional, amor esse ao dinheiro, ao poder, a fama e ao luxo. Portanto, foram esses e outros atributos que levaram kane a um final deprimente e degradante.

Tal qual kane, que transformou seu jornal de simples disseminador de notícias tradicionais matutinas em uma indústria de espetáculos, colocando grandes manchetes, escândalos sexuais, políticos, corrupção, assassinatos, etc., ou seja, notícias que causam apelo e comoção nacional, podemos perceber claramente tudo isso acontecendo nas mídias atuais, principalmente na televisão, onde esses tipos de assuntos são produzidos, reproduzidos e repetidos à exaustão por dias e dias seguidos. Pois os magnatas das mídias de hoje estão preocupados apenas com a audiência, com o poder e a riqueza. Pouco lhes interessa a informação de boa qualidade, a cultura, a responsabilidade e o compromisso com a sociedade.

Vejo kane como um homem totalmente infeliz pelo fato de ter sido rejeitado pela própria mãe enquanto ainda era crianção. Embora fosse poderoso, rico e famoso, sentia falta do amor de seus pais, pois nada substitui esse amor. Por isso, kane passou toda sua vida pensando em ROSEBUD, seu trenó, única coisa que ele amava na vida.

 

 

cidadão kane

por pedro

CHARLES FOSTER KANE, de menino humilde do interior a magnata da mídia americana.

Como mostra o filme, tudo começou por causa de uma simples pensão que tinha a Sra kane, sua mãe, numa pequena propriedade rural no interor dos EUA, onde kane vivia com ela e seu pai.

Um inquilino inadimplente passou as escrituras de uma mina abadonada e supostamente sem valor à Sra kane, como forma de pagamento. Ela, pouco tempo depois, contratou um grupo de banqueiros especialistas no assunto e logo descobriram que a mina, chamada de mina COLORADO, valia uma fortuna.

Diante da notícia, a Sra kane decide vender a mina ao gurpo de banqueiros e ao mesmo tempo entrega kane,seu próprio filho, aos cuidados do grupo, que,  a partir de então, se tornariam responsável pela criação e educação do menino, mas, somente após os 25 anos de idade, kane poderia tomar posse de sua fortuna.

kane teve toda sua formação praticamente na Europa, onde conheceu várois países. Porém, ao completar 25 anos de idade, retorna aos EUA em definitivo para administrar seus bens. Entre tantos empreendimentos para investir, como na área do petróleo, de transatlâticos, etc., conforme queriam seus investidores, kane escreveu-lhes uma carta dizendo que a única coisa que o interessava era a aquisição do NEW YORK INQUIRE, um jornal hipotecado que funcionava apenas na parte da manhã.

De posse do jornal, kane fez uma raviravolta. O que antes funcionava apenas meio período, passou a funcionar 24 horas por dia. Fez uma declaração de princípios na qual se declarava a favor dos desafortunados, dos pobres, dos assalariados. Em contra partida, atacaria o sistema político e a elite americana. trocou as notícias frias, de pouca comoção nacional, por fatos quentes, como desaparecimentos, assassinatos, escândalos políticos, sexuais, corrupção, etc. Mandou aumentar as manchetes do INQUIRE, pois dizia: “quanto maior a manchete, maior a notícia”. Dizia também que, enquanto seu maior concorrente levou 20 anos para ser o primeiro em circulação, prometeu que o INQUIRE o ultrapassaria em 6 anos, e a promessa se cumpriu. O INQUIRE começava a se expandir por todo o território americano.

Nascia o império kane dentro do império americano: 35 jornais espalhados por vários Estados dos EUA, dois sindicatos, uma rede de rádio, uma rede de armazéns, fábricas de papel, indústrias, florestas, transatlânticos, etc,

A medida que sua fortuna aumentava, também aumentava seu poder e sua fama ao redor do mundo. Chegou a tal ponto que, para os americanos, a sua figura  se tornara mais importante do que seus próprios jornais. Seu poder era tanto que, nos bastidores, influenciava na política, na economia e até em assuntos internacionais. En alguns deles, defendeu a entrada dos EUA numa guerra mundial, e em outra ocasião evitou que uma acontecesse.  Elegeu, ao menos, um Presidente dos EUA; mas, do mesmo jeito que elegia, também derrubava. kane era como uma faca de dois gumes: apoiava políticos antes das eleições; depois, denunciava-os.

Ao mesmo tempo que ostentava poder, kane também desfrutava dos prazeres da vida, à exemplo dos faraós. Mandou construir, numa montanha, um palácio, o qual chamou de XANADU, um templo dedicado ao prazer. Para lá, importava de vários países, muitas obras de artes, quadros, estátuas, etc., para colecionar; de todas as espécies de animais, adquiria um casal, como quisesse se comparar a Noé, quando Deus mandou o dilúvio e ordenou que um casal de cada espécie entrasse na Arca.

Mas nenhum reinado dura para sempre. Foi assim desde o começo dos tempos, uma hora começa a ruir. Basta lembrar do império Persa, Mongol, Romano, e outros, como grandes exemplos de ascensão e queda. Com o de kane não foi diferente. Tempo depois de casar-se com a sobrinha do Presidente dos EUA, kane arrumou uma amante, uma simples e mau cantora de ópera, com a qual começava sua ruína. No entanto, embora kane tivesse uma amante, ele ainda reinava como um “Rei Supremo”, pois neguém sabia da sua traição, mas a partir do momento em que resolveu entrar para a política e se candidatar a Governador, sua vida sofreu um grande impacto. Certo dia, quando fazia um inflamado discurso político, convicto de sua vitória, pois as pesquisas o apontava como grande favorito frente ao seu adversário, atacou duramente seu oponente, chamando-o de criminoso. Dias depois, o escândalo sexual de kane era manchete de vários jornais do país, ou seja, foi vítima do seu próprio veneno. kane perde as eleições e começa a perder tudo o que tinha.

No fim, após uma vida cheia de conflitos, kane morre falido e abandonado no seu Palácio XANADU, o qual nem sequer conseguiu concluir.

Mas não foi a amante de kane que o destruiru nem tampouco o discurso inflamado que fez ao seu adversário político. O que o levou a destruição foram suas próprias ações e atitudes farcistas, seus ideais maquiavélicos. Assim como sua arrogância, seu orgulho, seu esgoísmo e seu amor incondicional, amor esse ao dinheiro, ao poder, a fama e ao luxo. Portanto, foram esses e outros atributos que levaram kane a um final deprimente e degradante.

Tal qual kane, que transformou seu jornal de simples disseminador de notícias tradicionais matutinas em uma indústria de espetáculos, colocando grandes manchetes, escândalos sexuais, políticos, corrupção, assassinatos, etc., ou seja, notícias que causam apelo e comoção nacional, podemos perceber claramente tudo isso acontecendo nas mídias atuais, principalmente na televisão, onde esses tipos de assuntos são produzidos, reproduzidos e repetidos à exaustão por dias e dias seguidos. Pois os magnatas das mídias de hoje estão preocupados apenas com a audiência, com o poder e a riqueza. Pouco lhes interessa a informação de boa qualidade, a cultura, a responsabilidade e o compromisso com a sociedade.

Vejo kane como um homem totalmente infeliz pelo fato de ter sido rejeitado pela própria mãe enquanto ainda era crianção. Embora fosse poderoso, rico e famoso, sentia falta do amor de seus pais, pois nada substitui esse amor. Por isso, kane passou toda sua vida pensando em ROSEBUD, seu trenó, única coisa que ele amava na vida.

 

 

Mídia e Esporte

Adilson Junior

A poucos dias de um dos maiores eventos esportivos do planeta, milhões de pessoas ao redor do globo irão parar para assistir pela televisão os Jogos Olímpicos 2012, em Londres na Inglaterra.

Mas o que isso teria a ver com mídia, poder, influência, Cidadão Kane, etc?

Simples. O evento é o segundo maior em questão de audiência e visibilidade do mundo, atrás apenas de outro evento esportivo, a Copa do Mundo de Futebol. Para se ter uma ideia mais concreta e resumir em números a importância da mídia em eventos esportivos mundiais, as Olimpíadas de Pequim, na China em 2008, mais de 4,4 bilhões de pessoas assistiram aos jogos, segundo dados da empresa americana de estudos de mercado Nielsen Company, sendo esse a maior audiência dos jogos em mais de 100 anos de história nos jogos da era moderna.

No dia 27 de julho de 2012, o planeta estará aguardando a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. São esperados cerca de 15 mil atletas que disputarão 26 esportes divididos em 39 modalidades, além de 20 mil profissionais de imprensa credenciados, vindo de 200 países, número esse que ultrapassa os nações membros da Organização das Nações Unidas.

Os organizadores estimam que somente as cerimônias de abertura e encerramento serão um dos 4 maiores momentos da história da TV, com audiência de aproximadamente 4 bilhões de pessoas em mais de 200 países, podendo gerar um lucro com publicidade de 8 bilhões de dólares.

Um dado interessantíssimo sobre a audiência é que, apesar de ter menos jogos e quantidade menor de países participantes, a Copa do Mundo tem uma audiência muito superior que os Jogos Olímpicos. Por exemplo, a Copa da Alemanha, em 2006, acumulou 30 bilhões de televisores ligados durante todo o período do evento. Outro dado interessante também é que os 30 segundos de publicidade na televisão mais caros do mundo é no intervalo do Super Bowl  (final do campeonato de Futebol Americano nos Estados Unidos) que, em 2011 custou a bagatela de 3,5 milhões de dólares, o maior valor já cobrado da história da TV.

Para se ter ideia da evolução comercial e de audiência que os Jogos Olímpicos tiveram ao longo dos anos, em 2008, na China, o destaque foi pela transmissão de imagens em alta definição (HD) e, este ano, a expectativa é pela transmissão em 3D. Será a primeira vez que jogos dessa importância serão transmitidos com a tecnologia da terceira dimensão. A promessa é que a Panasonic, patrocinadora oficial do Comitê Olímpico Internacional, disponibilize aproximadamente 10 horas de transmissão em 3D por dia, de diferentes esportes, incluindo as cerimônias de abertura e encerramento.

Certamente esse fato aumentará significativamente o mercado de televisores com tecnologia 3D em todo o mundo no período das Olimpíadas.

Evento Tempo de cobertura Audiência Acumulada Custo de 30s na TV (US$)
Atlanta 1996 171 horas 3,2 bilhões 222.600,00
Sidney 2000 441 horas 3,7 bilhões 275.000,00
Atenas 2004 1210 horas 3,9 bilhões 339.300,00
Pequim 2008 3600 horas 4,4 bilhões 750.000,00

Além dos Jogos em si como produto, outros produtos são lançados em eventos como esse, porém existe um principal: os próprios atletas. Nos dias de hoje eles acabam se tornando celebridades mundiais e muitas vezes sendo comparados com super-heróis. Atletas já consagrados ou que venham a se consagrar, como Usain Bolt, do atletismo, Michael Phelps da natação, inúmeros jogadores de futebol, Yelena Isinbayeva, do salto com vara entre muitos outros são as celebridades esportivas do momento, mas já tivemos ícones ainda maiores como o inglês David Beckham e claro o brasileiro Ronaldo Fenômeno. Fenômeno nos gramados e também em publicidade.

http://www.youtube.com/watch?v=v1ZHr9_iDFw

Image

Por Vinícius Noronha

 

Dimas Kunsch

Boa noite, espectadores. Está no ar mais um “Mídia em Campo”, o lugar em que a comunicação bate um bolão. Eu sou Dimas Kunsch e hoje vamos temos uma peleja interessantíssima para analisar e debater: o caso Matsunaga.

Para isso, está presente no programa o sensato e líquido Posmo Derno. Ao lado dele está Frank Furt, esse simpático senhor que não gosta muito de aparecer na TV. Também veio o nosso colega hermano Híbrido Mediado e, por fim, o sempre polêmico Mr. McCrítico completa o time de comentaristas.

E como você sabe, sempre trazemos um convidado especial para abrilhantar esse bate-papo. A bola da vez é o nerd profissional Cyber Kane.

Você também pode participar fazendo uma ligação aqui para o programa. Marc Augé está de prontidão em algum não-lugar para ouvi-lo e repassar sua mensagem aqui para a mesa.

Bom, vamos começar a conversa analisando os principais lances do caso do diretor da Yoki que foi morto e esquartejado pela mulher. Alguém quer começar?

 

Posmo Derno

Mas já? Sem nem dar um pitaco inicial nem nada? Vamos direto para os lances?

 

Dimas Kunsch

O tempo do programa é curto, Posmo.

 

Posmo Derno

Ah, esses tempos curtos, fluidos, escassos… Tudo e rápido, tudo é pra ontem, nada é estável, tudo fica obsoleto, até mesmo comentários iniciais…

 

Dimas Kunsch

Ahn.. Ok, o Posmo está irritadiço hoje. Ele vai tomar Maracujina líquida e daqui a pouco volta para comentar. Bom, enquanto vemos os principais lances noticiados nos telejornais, gostaria de abrir a discussão com uma pergunta: o caso Matsunaga poderia de enquadrar em mais um típico caso de espetacularização midiática?

 

Frank Furt

Dimas, vendo os lances de perigo, creio que possa se enquadrar sim até pela própria natureza da TV de gerar, através da sua dominação e da homogeneização que ela produz, um embotamento crítico nos espectadores. A notícia tratada e pautada como espetáculo termina por vulgarizar o acontecimento e destoar a análise.

 

Híbrido Mediado

Ah, ese Frank, siempre extremista…

 

McCrítico

Mas ele está certo, Híbrido. A mídia espetaculariza a notícia a transforma em mais um objeto de consumo.

 

Dimas Kunsch

Então vocês acham que, ao agendar esse assunto na mídia, o interesse é de desviar a atenção de análises mais profundas e de assuntos mais pertinentes?

 

Frank Furt

Ora Dimas, é mais um caso típico de alienação por conta de uma pauta que beira a irrelevância, mas foi vista como potencialmente vendável. Tudo bem, sabemos o quanto o grotesco ás vezes atrai a atenção das pessoas, mas a questão aqui é como o assunto particular é tratado dentro da esfera pública, mastigado, embalado e passado na TV como um espetáculo tétrico que induz ao julgamento moral, inclusive resvalando na misoginia, e ao dualismo, nunca a uma reflexão.

 

Híbrido Mediado

Pero convenhamos que las apropriaciones culturales são uno barato. Mira ese periodico, Meia Hora. La chamada para el caso és: “Essa aí não pipoca!”

 

Dimas Kunsch, McCrítico, Posmo Derno e Cyber Kane

HAHAHAHAHAHAHA

 

Frank Furt

Não achei graça. Nem da chamada sensacionalista nem desse portunhol ridículo, nítida demonstração de como a junção de cultura popular e erudita é um fiasco.

 

Híbrido Mediado

Ui, que muchacho brabo. Pero queria salientar que la midia puede hacer tipos de construcción  de significados y lo publico tiene aspectos particulares para su compreensión. Eso no és exatamente, como puedo dizer, manipulacción. És como yo mismo faço com el língua portuguesa e castellána.

 

Dimas Kunsch

E como relacionar isso com a notícia em questão, Híbrido?

 

Híbrido Mediado

Puede relacionar con su realidad, con su grupos sociales, com su subjetividad. La interpretación de los produtos midiaticos es um processo muy dinamico.

 

McCrítico

Mas vejam os lances! É evidente que é tudo pensado de maneira a prender os espectadores, sugar a sua atenção, atrair índices maiores de audiência, transformar uma tragédia particular em um circo, hipnotizar as mentes, e no fim, se possível, ainda vender uns produtinhos.

 

Dimas Kunsch

Mas McCrítico… Trata-se de um crime passional em que a mulher esquartejou o marido. Que produto você crê que pode ser vendido a partir deste fato? Boneco de pano do japonês com uma tesoura pras crianças brincarem de mini-crime?

 

McCrítico

Que bizarro, Dimas…

 

Dimas Kunsch

Ahn… Editor, depois você corta essa parte, tá? Não queremos dar ideias doentias à indústria de brinquedos

 

Editor

O programa é ao vivo, Dimas.

 

Dimas Kunsch

Bem… Então… Continuando… Cyber Kane, você está muito calado. Não gostaria de participar do debate?

 

Cyber Kane curtiu isso.

 

Dimas Kunsch

Ótimo, então o que tem a dizer sobre o assunto em questão?

 

Cyber Kane está digitando…

 

Dimas Kunsch

Pô, mas você está aqui! Que troço é esse de “está digitando”?

 

Cyber Kane

Ah, é verdade. Bem, me chama a atenção como a mídia de massa, no caso a TV, arma um esquema tático ofensivo para continuar pautando assuntos que são discutidos na internet, mas como a mesma internet traz, na sua instantaneidade, uma nova perspectiva para as trocas de informações.

 

Posmo Derno

Mas você vê isso com entusiasmo? Me parece que essa instantaneidade, velocidade, seja o que for, não contribui em nada para a profundidade com a qual os temas são levantados. Ao contrário, na internet existe a possibilidade de se construir uma identidade com algum determinado propósito, ou até mesmo de agir anonimamente.

 

Frank Furt

E mais: eu diria que isso traz barreiras enormes para o agir comunicativo.

 

Cyber Kane

Tudo isso depende do caso. Por exemplo, no caso do assassinato do executivo da Yoki, houve um processo maior de comentários em cima do que já era notícia dada na mídia, mas há casos em que a comunicação parte daquilo que é testemunhado, retratado e compartilhado. Por exemplo, cidadãos em momentos extremos mandando fotos instantaneamente pelo twitter, ou organizando algum tipo de levante. E também acontecem casos em que o debate midiático se reproduz na internet com elementos a mais, como em campanhas políticas, em que cidadãos engajados fazem verdadeiros levantamentos audiovisuais para exaltar ou denegrir a imagem de algum candidato.

 

Posmo Derno

O que eu me questiono é se a própria profusão de dados e informações não confunde mais do que esclarece.

 

Cyber Kane

Só um adendo: isso da TV pautar a internet também acontece no sentido contrário, ou seja, a internet agenda assuntos que vão para os noticiários, mas vejo isso como um processo de coexistência ao invés de substituição.

 

Dimas Kunsch

Vamos agora para a participação do telespectador. Marc Augé, cadê você?

 

Marc Augé

Dimas, não queira conhecer este não-lugar onde eu estou. Ele não tem identidade, ele não tem história, ele não tem nem banheiro.

 

Dimas Kunsch

Ah, achei que esse não-lugar fosse o estádio do Corinthians. Mas e perguntas dos telespectadores, tem?

 

Marc Augé

Isso sim. Billy Gavras quer uma resposta precisa e direta sobre se vocês acreditam que, hoje em dia, jornalismo e espetáculo se confundem.

 

Dimas Kunsch

Alguém quer responder?

 

Frank Furt

Eu passo.

 

Híbrido Mediado

Yo repaso.

 

McCrítico

Eu pago. Ops… Não! Eu… Eu… Não concordo nem discordo, muito pelo contrário…

 

Dimas Kunsch

Marc, já deu pra perceber que nem esses renomados e aclamados analistas podem responder com precisão uma pergunta dessa magnitude. Tem mais alguma?

 

Marc Augé

Bem, Rodrigo de Caçapava pergunta como ele pode concorrer a prêmios nesse programa.

 

McCrítico

Pô, mas até esse programa tem espectadores consumistas, imediatistas, que querem capitalizar algum tipo de vantagem própria ao invés de um senso crítico? Não é possível… Maldita influência estadunidense!

 

Dimas Kunsch

É melhor terminarmos por aqui. Muito obrigado pela audiência, tenha uma boa noite e assista, na sequência, a mais uma análise midiática na minha aula. Até mais!

Por Vinícius Noronha

Cidadão Kane é uma obra artística fundamental para se compreender os anos 40. Não só pela sua temática, mas também pela linguagem revolucionária construída por Orson Welles, que consegue retratar a modernidade, as manifestações midiáticas e até mesmo as relações subjetivas entre os personagens com maestria. Com seus planos nada convencionais, suas elipses temporais e seus jogos de imagens em espelhos, o diretor criou um filme seminal que é um retrato de sua época, e que até os dias de hoje traz reflexões e indagações sobre esse momento da humanidade.

Outras obras também provocam esse efeito, gerando estudos aprofundados com o fim de tentar compreender melhor a forma com a qual nos relacionamos com o nosso tempo. O filme A Montanha dos Sete Abutres e os livros 1984 e Admirável Mundo Novo comprovam a tese de que a arte é um lugar tão propício para o questionamento da nossa maneira de estar e se comportar no mundo quanto os escritos filosóficos e sociológicos dos autores acadêmicos. Mesmo porque o pensamento de uma era, ou o zeitgeist, como diria Hegel, conecta todas essas expressões.

Partindo disso, esse post tem o intuito de buscar, na contemporaneidade, obras que traduzem a época em que vivemos e relacioná-los com os pensamentos de alguns filósofos e sociólogos, que também procuram entender o que é se comunicar e se relacionar na passagem do século XX para o XXI. Ao invés de buscar isso na literatura ou na sétima arte, as obras selecionadas foram tiradas de outra expressão artística: a música. São 3 álbuns que foram lançados praticamente na mesma época e trazem, tanto nas letras quanto na sonoridade, um espelho do que são os tempos atuais: Up, do R.E.M. (1998), Kid A, do Radiohead (2000) e Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco (2002).

Em comum, os 3 álbuns representam uma ruptura na trajetória das respectivas bandas. Com letras mais complexas e o uso de elementos eletrônicos, arranjos dissonantes e microfonias na sonoridade, eles causaram grande impacto quando foram lançados, seja por estranheza (inclusive entre os fãs das próprias bandas), seja pelo entusiasmo na recepção. Vamos ver o que eles tem a dizer sobre o nosso tempo:

 

 

Up, do R.E.M., e os não-lugares de Marc Augé

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O álbum Up poderia ser tratado como a expressão musical das teses de Marc Augé, o filósofo francês que cunhou o termo “não-lugar” para definir espaços públicos de rápida circulação que são diametralmente opostos ao lar. Com suas músicas de cadência lenta, notas repetitivas e melodias sussurradas, o R.E.M. expressa a falta de afetividade provocada pela passagem a esses lugares sem identidade. Várias músicas retratam isso através de um dos mais notáveis não-lugares analisados por Augé: o aeroporto. Como exemplo, podemos citar a primeira faixa, Airportman, cuja letra diz:

Ele mexe eficientemente

Além da segurança

Boas oportunidades à vista

Aeroporto fluorescente

Criatura do hábito

Respiração trabalhada com a pele pálida

ar reciclado

escadas rolantes

Boa oportunidade á vista

O movedor de pessoas

Descontado

Outra canção que se conecta com a tese de Augé é Daysleeper na própria atmosfera da canção, que por vezes é formada de ruídos que transmitem o aspecto transitório de quem depende dos aeroportos em horários inóspitos para trabalhar. A letra também retrata isso:

Recepção, 3 horas da manhã,

O pessoal do estoque controlou efetivamente o excesso.

As diretrizes estão publicadas.

Nenhuma chamada de reclamação,

Tudo está calmo.

 

Hong Kong está presente,

Taiwan acaba de acordar,

todos falam de rítmos circenses.

 

Eu começo o dia de hoje com a notícia de um conflito

Minha noite está colorida com uma cinzenta dor de cabeça

Eu durmo durante a manhã

 

A máquina oceânica está programada para às 9

Eu a apertarei em direção ao céu e a minha namorada.

Minha cama está me empurrando, gravidade

Eu durmo durante o dia.

 

 

Kid A, do Radiohead, e a falta de referências na pós-modernidade

 

A busca incessante da felicidade, com a profusão de experiências possíveis dadas pela tecnologia, pelas facilidades do mundo interconectado e, como diz Lyotard, pela ressaca das grandes narrativas que procuravam explicar o mundo, fizeram as pessoas tatearem prazeres sem qualquer referência de onde ir e como atingir o que querem. É isso que Kid A já mostra de cara em sua primeira faixa: uma canção eletrônica com melodia robótica cantada em tom de desespero, martelando:

Tudo está em seu devido lugar

Ontem acordei chupando um limão

Tem duas cores na minha cabeça

É isso o que você estava tentando dizer?

Autores como Zygmunt Bauman e Gilles Lipovetsky já alertaram, respectivamente, como vivemos em um tempo em que temos a sensação contante de correr sobre um lago congelado, sem poder parar e sem referência de onde ir, e como a felicidade hedonística traduzida pelo consumismo e pelo culto ao instante é paradoxal, por sempre conter, em ser germe, um sentimento de incerteza, de inoperância e de temor. Outra canção que demonstra isso é In Limbo, com seu arranjo expressando uma sensação de estar perdido, que é confirmada pela música:

 

Estou no seu lado

Não há onde se esconder

Portas de armadilhas que abrem

Eu desço em espiral

 

Você vive num mundo de fantasia

Você vive num mundo de fantasia

 

A sensação de desespero e de urgência provocada por essa espiral é retratada em Idioteque:

Nós não estamos sendo alarmistas

Isso está mesmo acontecendo, acontecendo

Nós não estamos sendo alarmistas

Isso está mesmo acontecendo, acontecendo

 

Celulares apitando

Celulares quebrando

Pegue o dinheiro e corra

Pegue o dinheiro e corra

Pegue o dinheiro…

 

Aqui eu estou vivo, tudo, o tempo todo

Aqui eu estou vivo, tudo, o tempo todo

 

 

Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco, e a profusão tecnológica como inibição do contato com o outro

Yankee Hotel Foxtrot são denominadas as estações de rádio da agência de inteligência de Israel. Através de ondas acima do tráfego das estações de rádio comuns, Israel divulga os seus interesses aos seus agentes. A voz, sempre feminina, discursa em códigos, o que resulta em distorções de quem recebe as mensagens desconhecendo a combinação.

O Wilco se aproveita desse conceito para traçar uma metáfora sobre as distorções que acontecem na comunicação e no relacionamento entre as pessoas. Além de permear todo o álbum com sons de rádios não sintonizadas, a banda traz uma reflexão sobre como utilizamos os códigos dentro das tecnologias existentes, e como muitas vezes ficamos reféns deles, algo que já havia sido indicado pelo filósofo Vilém Flusser. Podemos notar isso na letra de Kamera, que diz:

Preciso de uma câmera para meus olhos

Para meus olhos, relembrando

Quais mentiras estive escondendo

Quais ecos pertencem

Estive contando os dias

Para ver o quão distante

Estive dirigindo na escuridão

Com ecos em meu coração

Ligue para minha família, diga a eles que estou perdido

Na calçada

E, não, não está tudo bem

 

 

Outra música que expõe isso, inclusive com dissonâncias e com uma melodia propositadamente melancólica, é Radio Cure:

Alegre-se, querida, espero que você seja capaz

Há algo de errado comigo

Minha cabeça está repleta de curas radiofônicas

Eletrônicas palavras cirúrgicas

Colhendo maçãs para reis e rainhas de coisas que nunca vi

Oh, a distância não é a maneira de fazer o amor compreensível

 

 

Pra encerrar, é importante dizer que existem inúmeras obras, das mais variadas linguagens, que poderiam ter sido analisadas por esse post. A arte ainda é o grande viés em que os questionamentos conseguem se desdobrar e atingir os ouvidos, olhos e almas de maneira mais completa. Ainda que haja a tendência de se buscar no passado as respostas para as dúvidas presentes, é necessário voltar atenções para as manifestações que acontecem hoje em dia. As respostas são sempre incertas, mesmo nesse caso, mas se as perguntas ficarem mais claras em nossa mente, já sairemos da nossa zona de conforto e procuraremos alguma espécie de diagnóstico que não se limite a um mundo de fantasias ou a curas radiofônicas.

“o cigano”

Por Pedro

NICOLAS BERGGRUEN, proprietário majoritário do GRUPO empresarial espanhol PRISA de comunicação. Controla os principais jornais e outras publicações, assim como redes de rádio e televisão. Está presente em 22 países da Europa e América. Nicolas se define um cara simples, pois, segundo ele, o que mais importa são as ações, e não os bens materiais. Não tem casa, carro nem avião. Carrega seus bens em um saco de papel e mora em hotéis.